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Rodrigo Fidélis – ‘‘Com fé e esperança movemos o mundo’’

Publicado em: 09/06/2017 às 14:20 - Categoria Entrevista
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Todas as manhãs, às 5 horas sua voz entra nas casas, no sítio, na fazenda, nas obras, nos comércios em que é permitido ligar o rádio.
Com sua voz inconfundível ele traz a mensagem de fé, as canções para os apaixonados pela música sertaneja.
Às 17 horas ele retorna na segunda edição do programa Vida no Campo, transmitido ao vivo para os ouvintes da VertSul FM, 93.5, que fica no destacado prédio da Rua Sá Fortes.
Quem é ele?
Rodrigo Fidelis – radialista e locutor. Foi para a rádio, um ano após a sua inauguração.
Rodrigo Batista Rodrigues, 38 anos, é filho de João Batista Rodrigues e Terezinha Maria Rodrigues; irmão do Lucas, Andreisa, Andreia e Ariane; marido da Katiane, pai do Caio César e do Pedro Henrique.
Rodrigo, nascido na Comunidade Baliza em Santo Antônio do Amparo, viveu sua infância trabalhando com o pai na roça, enfrentando ao lado da família muitas dificuldades e desde pequeno já mostrava sua vocação.
A entrevista foi gravada na recepção da Rádio VertSul, às 19 horas, logo após a apresentação da 2ª edição do seu programa.
Jornal VOZ: Por que Rodrigo Fidelis?
Rodrigo: Quando cheguei aqui na rádio, conversando com o Padre Vanir, ele pediu para que eu tivesse um nome “fantasia”, um nome de trabalho. Pensamos em Rodrigo Batista, Rodrigo Rodrigues, mas ficaria muito rouco, aí fomos para o lado dos meus avós da parte da minha mãe o sobrenome é Fidelis.
Jornal VOZ: Você nasceu na Comunidade Baliza. Quando você veio para Perdões e antes de trabalhar na rádio o que você fazia?
Rodrigo: Eu vim para Perdões em 1995.
Eu morava num sitio com meus pais, digamos “de favor”. Lá a vida era mais difícil e a gente tinha que ajudar os pais. Comecei a trabalhar na lavoura, ajudando meu pai no gado e tudo que fazia no sítio, trabalhei com meu pai ajudando-o e estudando.
Estudei na Comunidade mesmo até o 4º ano, depois fui estudar em São Sebastião da Estrela até a 8ª série e depois fui estudar em Santo Antônio do Amparo onde fiz o segundo grau Técnico de Contabilidade.
Tive que vir para Perdões porque foi ficando difícil, queria buscar mais espaço.
Jornal VOZ: Como surgiu esse convite para trabalhar na rádio?
Rodrigo: Quando trabalhava na roça eu já gostava de rádio, porque todos os dias acordava cedinho, enquanto o pai preparava o café da manhã, ele ligava o radinho no programa do Zé Betio que, para mim, foi um grande professor de comunicação.
Zé Betio – “Alô Dona Maria, Alô Dona Rosa” e o Eli Correia – “Oi gente…”
A gente ia para a roça, eu, meu pai e meu irmão – e eu ficava imitando o locutor de rádio.
Quando vim para a cidade, comecei a trabalhar na Selaria América, aí comecei a frequentar essas festas country. Comecei a me interessar por locução de rodeio.
Tinha um colega que trabalhava comigo, o Doriethson – fomos contratados no mesmo dia na Selaria América.
Ele sempre me incentivando e assim comecei a narrar rodeio – nessas festas, entre elas, Ribeirão Vermelho e região.
Doriethson me perguntou “por que você não vai fazer um teste na rádio?”
Aí um dia, eu e ele caminhando pela rua, encontramos o diretor da rádio VertSul, o Sérgio. Perguntei-lhe: “posso fazer um teste na rádio”. Ele concordou e no outro dia fiz o teste.
Passou uma semana e me chamaram para trabalhar aqui na rádio.
Jornal VOZ: E já tinha esse programa que você apresenta hoje?
Rodrigo: Tinha. Era o Vida no Campo primeira e segunda edição, só que na época eram dois locutores.
Quando entrei aqui, iniciei como folguista. Trabalhava na Selaria América e trabalhava aqui.
Depois surgiu a proposta de eu fazer os dois horários, aí deixei a Selaria para me dedicar aos dois horários.
Jornal VOZ: Constatamos que além de radialista, locutor, você é sempre convidado para locução em eventos tradicionais da cidade de Perdões e cidades vizinhas.
Rodrigo: Tem o Rotary Club Perdões, o qual já tem 16 anos que trabalho com eles e você também é parceira.
Temos as festas religiosas, inclusive na Comunidade Baliza em que morei – a Festa de Nossa Senhora de Fátima, também em São Sebastião da Estrela e aqui – Comunidade do Machado, igreja da Chácara Bela Vista.
Hoje, graças a Deus, posso dizer que estou trabalhando em todas as festas religiosas, quando tem um show, o pessoal me convida para trabalhar.
Jornal VOZ: O que representa para você o carinho dos ouvintes, do público?
Rodrigo: É minha vida! É tudo, porque eu amo o que faço e faço com amor. O carinho do ouvinte da VertSul é diferente – a gente sente que é diferente.
Muitos ouvintes ligam para a gente e dizem “você já faz parte da minha família”. E pra gente, isso não tem preço.
Você sabe que “invade” o lar, o trabalho das pessoas e faz parte do dia-a-dia de cada uma delas.
E quando a gente falta, as pessoas ligam preocupadas querendo saber o que aconteceu. Esse amor não tem nada que pague.
Jornal VOZ: Mesmo diante da tecnologia, da internet, constatamos que o rádio tem o seu público fiel. As Comunidades, por exemplo, entram em contato. Tem o pessoal que liga o rádio para ouvir a programação e cada qual com sua preferência. Você concorda com isso?
Rodrigo: Você disse tudo Regina. Porque eu chego aqui de manhã. O programa Vida no Campo primeira edição começa às 5 horas. Ou seja, quando eu chego aqui 5 horas da manhã, o telefone já está tocando e as pessoas querendo participar.
Faço também uma oração da manhã, às 6 horas – onde trago sempre uma mensagem de otimismo, uma mensagem de fé para as pessoas. Então o número de participação nessa oração é muito grande. Todas as comunidades a gente tem o carinho de receber a participação.
Seja o homem do campo que levanta para tirar o “leitinho” da manhã, muitos vão cedo para a roça no cultivo da terra, muitos levam o radinho para o trabalho, para o curral, para o barracão; os pedreiros que acordam cedo e vão para as obras – quantas participações a gente recebe “estou aqui na obra tal, manda um abraço pra gente!”. Isso é muito bacana e gratificante.
Jornal VOZ: Rodrigo, voltando a falar sobre a sua infância – às vezes, temos quadros gravados na nossa memória. Você se lembra de alguma coisa marcante que pode trazer para a sua realidade de hoje?
Rodrigo: Lembro sim, Regina, como se fosse hoje – até tem uma música que é muito ouvida, muito tocada, as pessoas conhecem muito, ela tem como título “Meus tempos de criança”. Quando toca essa música lembro lá do sítio, lá na lavoura com meu pai, naquele serviço bruto, duro lá na fazenda, por volta de duas horas da tarde, aquele sol quente, escaldante, eu encostei meu braço no cabo da enxada, olhei para o meu pai e falei “É pai… será que um dia eu vou sair daqui?” Então hoje, tenho muito a agradecer a Deus porque recordo como se fosse hoje, eu falando isso para o meu pai. Agora acordo cedo, venho para fazer o serviço que amo e ter o carinho das pessoas que trabalham no sitio, que fazem o mesmo serviço que eu fazia. Procuro passar para eles que acreditei na vida e com certeza eles não podem deixar de acreditar, ter esperança de um dia conquistar o sonho deles, porque eu sou prova disso, porque aconteceu comigo.
Jornal VOZ: Essa identificação faz com que o ouvinte sinta que você está passando uma coisa verdadeira?
Rodrigo: Sim, porque o que seria de nós sem o nosso amigo trabalhando lá no campo, usando a sua botina, o seu chapéu, colhendo o fruto que nasce da terra e colocando o pão de cada dia em nossa mesa? Imagine se isso acabar Regina, o que seria de nós aqui na cidade?
Temos que valorizar muito essas qualidades que a gente vê nesse pessoal, é quando a gente vai fazer uma visita na Comunidade, no sítio, na fazenda. O carinho que nos recebe, a fartura que está na mesa do homem do campo.
Não é um trabalho fácil – você passear no sítio é uma coisa, mas ganhar a vida no sítio, isso não é para qualquer um. Tem que ter muita fibra e fé. Aqui na cidade reclamamos do sol quente e da chuva. E o homem do campo pede uma chuva para, talvez, colher o fruto que nasce na terra e trazer o alimento para nossa cidade.
Jornal VOZ: Como você analisa o tratamento que as pessoas dão ao meio ambiente?
Rodrigo: É uma coisa muito preocupante porque começa com um simples ato de jogar o papel no chão.
Tenho no meu carro o ‘lixinho’ e desde pequeno ensino meus filhos a não jogarem nada pela janela. Pode-se pensar que um papelzinho não tem importância, mas muitos, causa de enchentes; pessoas que não têm respeito com os animais e nem com as árvores.
A pessoa vai no rio pescar e tudo que leva, larga na beira do rio, vem um vento e vai tudo para dentro do rio, mesmo sabendo que depois voltará para pescar para pegar o peixe, o alimento.
Pode ver que a Campanha da Fraternidade vem tentando alertar as pessoas sobre isso.
E daqui há alguns anos o que será dos nossos filhos, dos nossos netos?
Jornal VOZ: Diante do atual quadro político nacional, você acha que o Brasil tem jeito?
Rodrigo: É triste ver o que está acontecendo. Hoje está difícil você confiar.
Quando você pensa que pode confiar numa determinada pessoa, depois descobre-se que está envolvido na corrupção.
Uma coisa que temos que tomar muito cuidado é a “língua” porque presenciamos coisas maldosas, calúnias. As pessoas não sabem o que se passa e já vai logo julgando e temos que procurar saber a verdade e nos colocar no lugar do outro.
Uma coisa que meu pai me ensinou muito é o seguinte: “é muito fácil você ser bom no meio de todos, quero ver você ser bom – sozinho, onde você tem a oportunidade de lidar com as coisas fáceis e você ser honesto.
Achar pessoas honestas na política está complicado, porque não sabemos em quem confiar. Para melhorar a política temos que acabar com o tal do “rabo preso”.
Precisamos ter mais fé e pensar mais no próximo.
Jornal VOZ: Ndia 1º de junho comemoramos o aniversário de Perdões. Uma palavra de confiança para o seus ouvintes e amigos.
Rodrigo: Eu gosto muito de duas palavras – Fé e Esperança. Vamos nos unir com muita fé, unir na esperança e fazer também a nossa parte, porque muitas vezes deixamos de fazer a nossa parte, criticando. Se não for para ajudar, não faça!
Vamos ajudar com palavras que acrescentem na vida das pessoas.
A cidade é tão grande e ao mesmo tempo tão pequena porque falta união. Vamos unir os grupos, as administrações, e assim, com certeza, juntos seremos mais fortes.



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