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Somos todos…Gente

Publicado em: 02/04/2018 às 16:11 - Categoria Opinião
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imagem ilustrativa

O cotidiano segue como previsto. Acordamos, saímos para mais um dia de trabalho. Voltamos. Vez ou outra assistimos ao noticiário. Pensamos o quanto o mundo parece estar estranho. Comentamos no café da manhã, na faculdade, falamos para o amigo na mesa de bar:” a violência está demais, não e” ?!
E de repente, somos surpreendidos por algo que nos monstra que o buraco é mais fundo. “Vereadora é morta a tiros no Rio”. Recebemos imagens, fatos e depoimentos que nos chegam por telas de todos os tamanhos. Comentamos mais uma vez no café, na faculdade, com os amigos na mesa de bar. Mas não sei se isso é ver. A sensação é que estamos com algum tipo de déficit.
Esse talvez seja um bom diagnóstico para os nossos tempos. Déficit de humanidade.
Tempos em que escolhemos um lado na barbárie, na violência, na morte. Tempos em que nossas escolhas ideológicas poderiam nos unir na construção de uma sociedade melhor. Logo agora que tudo é tão conectado. Que temos voz. Que somos mais ouvidos que nunca.
Separam.
Mais do que separam, tiram de nós a capacidade de se sensibilizar com a dor do outro, que julgamos tão diferentes, e que portanto não recebe nossa afeição.
É tudo gente.
Gente que divide o mesmo tempo e espaço e falha igual em desgraça quando alguém é morto no meio da rua com quatro tiros na cabeça. É tudo gente que paga boleto, que fica doente, que comenta sobre o tempo no elevador.
O que horroriza, tanto quanto o disparo dos tiros, é que estamos todos doentes, perdidos, confusos. Meu signo, meu time, minha classe, meu bairro, meu partido, meu cabelo, minha profissão, minhas crenças. Tudo o que nos diferencia não deveria ser o que nos separa em meio a uma sociedade que grita por socorro.
O mundo seria um pouco melhor e a vida doeria um pouco menos se lembrássemos dia após dia, que somos todos gente. Que lembrássemos antes de afrontar, desmerecer e julgar a dor do outro.
Lembrássemos que a capacidade de amar o outro como a si mesmo nos foi dada. E nisso não somos diferentes. Só quanto escolhemos ser. Só quando nos esquecendo que somos todos…
GENTE.


Renata Souza


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