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Entendendo o Autismo Infantil

Publicado em: 01/04/2018 às 18:33 - Categoria Saúde
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imagem ilustrativa

Dia Mundial da Conscientização do Autismo

O Dia Mundial da Conscientização do Autismo é comemorado no dia 2 de Abril.
Os estudos sobre o autismo são relativamente recentes.
Para se ter noção disso, basta saber que no ano de 2017 ainda vive a primeira pessoa que recebeu este diagnóstico.
Nessa edição destacamos o artigo do Dr.Natanael L.Mota, neurologista infantil, que está publicado na Revista Ipê (edição 17 – Out-Nov- Dez 2017).
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Tudo começou quando o eminente Psiquiatra Leo Kanner descreveu no ano de 1943 algumas crianças que apresentavam comportamento diferente do habitual. A começar pelo jovem Donald, filho

*Dr.Natanael L. Mota
Neurologia Infantil

de um advogado da cidade de Triplett no estado do Mississippi, o qual descrevia que seu filho “não demonstrava alegria quando vê o pai ou a mãe, e parecia fechado em sua concha e vivendo dentro de si”.
Donald completa 84 anos e vive em uma pequena cidade no interior dos Estados Unidos.

O QUE É AUTISMO?
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do desenvolvimento em que há déficits persistentes na comunicação e interação social em múltiplos contextos bem como a presença de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesse ou atividades, sendo estas alterações presentes desde o início do período de neurodesenvolvimento (embora possam não se tornar plenamente manifestos até que as demandas sociais excedam as capacidades do indivíduo). Tais características podem se manifestar de forma e intensidade diferentes em cada indivíduo, por isso a utilização do termo ‘espectro’.
QUAL A PREVALÊNCIA?
É mais frequente em meninos, na proporção de 4:1, e tem-se observado aumento da prevalência. Na década de 1980 eram descritos 5 casos para cada 10.000 nascidos, enquanto as atuais estatísticas apontam para cerca de 147 casos para cada 10.000 (1 para cada 68). Para explicar esse aumento, temos que pensar os seguintes fatores: critérios diagnósticos se modificaram ao longo desse período, tornando-se mais abrangentes, o conhecimento do público faz com que mais pais procurem o diagnóstico. Contudo, várias pesquisas científicas estão sendo realizadas para esclarecer outros possíveis fatores envolvidos no aumento da prevalência.
O QUE CAUSA O AUTISMO?
A causa exata do TEA ainda não foi definida, sendo objeto de intensa pesquisa. Sabe-se que há uma influência genética importante. Há diversas alterações genéticas que tem como parte de sua expressão sintomas do autismo, como a Síndrome de Rett, Síndrome do X Frágil, Fenilcetonúria e Esclerose Tuberosa. O modo pelo qual a predisposição genética interage com os fatores ambientais é o grande questionamento que tem sido feito.
COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO?
O diagnóstico é clínico, utilizando-se como base os critérios do DSM – 5. Não existe um exame complementar que “comprove o autismo”. Outros exames como exames laboratoriais, exames de imagem, eletroencefalograma ou mesmo avaliação genética são realizados, analisando-se cada caso, na tentativa de identificação de outras doenças.
COMO É FEITO O TRATAMENTO?
O tratamento é multidisciplinar, com prioridade nos tratamentos de reabilitação. Envolve profissionais como Médico (Pediatra, Neurologista Infantil, Psiquiatra Infantil), Fonoaudiólogo, Fisioterapeuta, Terapeuta Ocupacional, Psicólogo, Psicopedagogo, Professores, etc.
Considerando que cada caso é único, as terapias mais prioritárias devem ser definidas de acordo com cada necessidade.
O uso de medicamentos deve ser individualizado para cada tipo de paciente.
*Dr.Natanael L. Mota – membro da Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil – ABENEPI


MENSAGENS DE TRÊS MÃES

O Jornal VOZ convidou três mães de Perdões para responder à pergunta única:
Como mãe de uma criança com autismo qual a mensagem que você dá às outras pessoas e em especial às mães que têm um anjo azul na família?

 

”Ser mãe de uma criança autista é um desafio diário. No início é desesperador, a gente se questiona o tempo todo, mas depois a gente passa a ver que se Deus nos presenteou com esses anjos é porque somos especiais, e Deus nos capacita a cada novo amanhecer, para superar os novos obstáculos, as dificuldades, e em tudo Deus se faz presente e nos dá forças para conquistar e querer o melhor para nossos filhos. Não há uma palavra que possa descrever a reação de receber o diagnóstico que seu filho é portador de autismo, mas também não há uma palavra que descreva a sensação de superação, a alegria de ver um filho conquistando seus objetivos e superando os obstáculos do dia a dia, é aí que a gente olha para trás e vê que toda aquela dedicação e terapias, valeram a pena e faz com que a gente (mães) não paremos de correr atrás de querer dar o melhor a eles, para que quando eles forem adultos, consigam ter o máximo ou o mais próximo de uma vida “normal”.
Tenho uma frase que levo sempre comigo, e acho que todos deveriam refletir nela. “As crianças especiais, assim como as aves, são diferentes em seus vôos. Todas, no entanto, são iguais em seu direito de voar.” (Jessica Del Carmen Perez.)”

Beatriz Santos – mãe do Eduardo

 

 


”Ser mãe de um filho com autismo me transformou. Depois do diagnóstico do meu filho Lucas Gabriel não posso dizer que não senti tristeza em alguns momentos, mas definitivamente esse não é o sentimento mais marcante da minha vida em relação ao diagnóstico.
O Lucas me deu verdadeiras aulas sobre o valor da vida. Passei a dar mais importância para o que realmente é importante.Vitórias e conquistas às vezes pequenas para outras mães, têm grande valor para mim.
Vivemos um dia de cada vez. Tive a oportunidade de conhecer mães no facebook, nos grupos de apoio, na escola. Algumas são conhecidas e outras sinto-me honrada de lhes chamar de grandes amigas.
Sou atingida pelo amor que elas têm pelos filhos e famílias.
Estamos juntas nessa caminhada, uma apoiando a outra, se uma cai, como às vezes acontece, estas mulheres maravilhosas nos pegam, nos abanam e nos colocam de novo no nosso caminho.
Muitas mães de filhos com autismo enfrentam desafios todos meses e apoiam-se uma nas outras.
O que eu diria para as mães de filhos com autismo, é para elas buscarem conexões, para saberem que não estão sozinhas, porque muitas já estão nessa trajetória e podem trocar experiências. Acho que quando você se abre para conhecer outras pessoas, outras famílias e ouvir o que elas têm a dizer, você descobre novas formas de lidar com o diagnóstico.
O apoio é fundamental, é claro que existem dificuldades, e obstáculos que temos que enfrentar, mas o amor que sentimos pelo nossos anjos azuis é incondicional.”
Laid Rodrigues – mãe do Lucas


”Descobri o autismo da minha filha Allana de 2 anos em dezembro do ano passado, em uma consulta de rotina com pediatra.
Fiquei sem chão, pois não entendia o que era autismo, nesse mesmo dia passei a noite toda sem dormir , pesquisando na internet o que era e o que eu tinha que fazer pra ajudar no desenvolvimento dela. De lá para cá eu tenho mais aprendido do que ensinado a ela, digo isso porque Deus enviou esse anjinho para mudar nossas vidas, nos aproximar mais, nos tornar pessoas melhores, a ver a vida com outros olhos, a dar valor em um simples sorriso, abraço ou algo novo que aprendeu na Creche; cada conquista dela nós fazemos festa e como sou chorona não consigo conter as lágrimas!
Ser mãe de autista não é fácil, tem dias que penso que não vou dar conta, que não vou conseguir, mas Deus com a sua infinita graça renova minhas forças e logo já levanto a cabeça e digo a mim mesma – eu sou capaz!
Deus confiou a mim, e a toda a nossa família a missão de cuidar da Allana, família que tem tido papel importantíssimo no desenvolvimento dela. Ainda que posso contar com cada um deles e se já éramos unidos, agora com Allana ficamos ainda mais próximos, não sei o que seria de mim, se não tivesse o apoio da nossa família!”
Mônica Santos – mãe da Allana

 


O Jornal VOZ agradece as mães guerreiras que responderam ao nosso convite e diariamente buscam informações, transmitem informações, lutam pelos direitos de seus filhos,  cientes de que o conhecimento e o amor maternal são importantíssimos para o bem estar de seus filhos com diagnóstico de autismo.


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