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ENTREVISTA: Cláudia – Atleta perdoense vencendo o tempo e o espaço

Publicado em: 25/09/2017 às 11:41 - Categoria Entrevista
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Claudia Cristina Barros Pádua, 45 anos, perdoense, filha de Mauro Mendes Barros e Elza Conceição Barros; esposa do Ednaldo Pádua Pereira, mãe do Alexandre, Júlia e Arthur. Trabalha como agente de endemias na Secretaria Municipal de Saúde de Perdões.
Nas madrugadas de Perdões podemos observar vários atletas que fazem parte da equipe Top Runners, treinando com muita garra. Entre esses atletas temos Cláudia que já participou de muitas corridas de rua, subindo ao pódio e também ficando entre os primeiros.
Cláudia, geralmente participa de provas de longa distância. Na Maratona de São Paulo, 3782 pessoas completaram a corrida, tendo 983 mulheres inscritas e 886 completaram a corrida. A atleta ficou na 30ª posição.
Ela vai participar da corrida de rua em Boston em abril de 2018.
Cláudia retornou recentemente do Chile, onde participou com outros perdoenses da Corrida da Patagônia, onde participaram 700 atletas de vários lugares, ela ficou em 5º lugar na geral e em 3º lugar na sua categoria.
A entrevista foi na sala de sua casa, onde estavam seus filhos gêmeos, Arthur e Julia.
Após a entrevista pedimos que nos mostrasse suas medalhas e troféus.
Seus filhos colocaram algumas medalhas e troféus na mesa da cozinha. Que orgulho dessa mãe!


Jornal VOZ: Quando você iniciou o gosto pela corrida de rua? Quem a orientava/treinava?
Cláudia: Em 2011 iniciei sozinha e em 2012 com o Miller.
Jornal VOZ: Qual foi o incentivo que você teve para começar esse tipo de esporte?
Cláudia: Eu gosto de esporte solitário, não gosto de esporte em que eu precise depender de outras pessoas.
A corrida eu vou na hora que posso, que eu quero, apesar de que a corrida que pratico por ser longa distância, preciso sempre de uma pessoa para me dar um apoio por causa de água, de frutas que tenho que consumir durante o treino.
Jornal VOZ: Você lembra a primeira corrida pela Top Runners?
Cláudia: Sim. Foi em Lavras e fiquei em 1º lugar na minha categoria e 6º lugar na geral. Foi na corrida Gammon Ufla em 2 de setembro de 2012.
Jornal VOZ: Teve alguma vez em que você queria ter participado de uma corrida, mas não participou?
Cláudia: Teve, várias, principalmente depois que optei por corridas de longa distância. Então, corrida de longa distância, não temos aqui na região – são corridas que a gente depende de um recurso financeiro e por essa razão não pude participar.
Jornal VOZ: Aliás o seu trabalho é na área da Saúde e você anda bastante. Qual a sua função e desde quando trabalha nessa área?
Cláudia: Sou agente de endemias e trabalho desde fevereiro de 2011.
Quando comecei a trabalhar na Saúde eu só fazia Academia, aí depois que comecei a correr.
Trabalho dia todo – 8 horas – e vou treinar à tarde.
Hoje já fui treinar.
Jornal VOZ: Você sente cansaço? O que isso representa para você?
Cláudia: Os treinos longos – o difícil da Maratona é isso.
As pessoas me perguntam “como você da conta de correr na Maratona e fazer um tempo bom?”
Por exemplo, fiz essas duas últimas e a minha participação foi muito boa.
Eu falo que a corrida – o dia da prova não é difícil. Acredito que a ‘adrenalina’ da gente, aí não vê a dificuldade.
Agora os treinos são difíceis. Os treinos para ir a essa última corrida ao Chile, por exemplo, eu estava levantando às 4 horas da manhã – para eu fazer uma alimentação, ir para a Avenida entre 5 e 5h20min e começar a treinar às 5h30min. E era de 5 e meia até às 9 horas. Portanto os treinos longo são difíceis e por Perdões não ter local adequado para a gente treinar. Então temos que ficar procurando lugares que se adaptam mais ou menos com o que a gente vai fazer no dia da prova, um percurso mais ou menos parecido e também verificar a temperatura e o horário.
Assim, se eu vou correr numa prova em que vou pegar sol quente, treino mais tarde no sol; agora se tem uma prova que eu vou pegar frio, como essa última, nós estávamos correndo às cinco da manhã, sentido Graal, Fernão Dias, pegando o vento dos caminhões, o trânsito, para a gente ter mais ou menos uma noção do que seria o frio lá no Chile.
Jornal VOZ: Pelo que você está relatando, isso exige muita disciplina?
Cláudia: Muita disciplina. O difícil é o treino.
Tem uma companheira de treino que fala que, quem vai treinar para Maratona tem que esquecer a vida noturna, principalmente na sexta-feira porque o treino puxado é no sábado.
Então você tem que dormir cedo, dormir bem, alimentar bem – a base de carboidrato, muita vitamina, além do psicológico.
Maratona se você não tiver um psicológico pronto para as dificuldades que a gente vai enfrentar durante a prova. Tem um momento na prova que você pensa que está sentindo câimbra, que você está sentindo cansaço, quer parar, você pensa “o que estou fazendo aqui?” “por que estou fazendo isso?”. Portanto você tem que trabalhar o seu psicológico.
Os treinos para a maratona começam três meses antes da corrida. Nesse período a gente abre mão de tudo. Aqui em casa, meu marido, meus filhos falam “quando a mamãe está treinando para maratona, muda tudo”. Aí minha filha pergunta “pelo menos um macarrão na sexta-feira tem?” Tem!
Jornal VOZ: Já que estamos falando sobre isso, como é o incentivo da família para você praticar o esporte?
Cláudia: Tenho o incentivo total da minha família.
Principalmente no início, meu marido e meu filho mais velho, o Alexandre, participou comigo de uma prova no Rio de Janeiro, quando fui fazer a minha primeira maratona no Rio, ele participou também.
Comecei a treinar com o Miller e ele falava que eu tinha que participar de provas e na época eu não queria. Eu falava aqui em casa que “estava correndo por correr, porque eu gosto, não quero competir com ninguém.”
Aí meu marido me incentivava para que participasse para que eu melhorasse nos meus treinos.
E a primeira que participei, fui muito bem.
Tenho um incentivo muito grande dos meus irmãos, aliás, somos 5 irmãos, que correm. E principalmente tenho o incentivo dos meus colegas de treino.
Jornal VOZ: Quando você corre é para superar o outro ou você mesma?
Cláudia: Eu sempre quero melhorar o meu tempo.
Comparando: anos passado fiz essa maratona em São Paulo e fiz esse ano a mesma prova, o mesmo trajeto e eu pude diminuir 8 minutos do meu tempo. Isso foi uma satisfação enorme para mim.
Jornal VOZ: Sobre essa corrida do Chile como surgiu essa oportunidade?
Claudia: Surgiu através do Miller mesmo, porque ele tinha a intenção de levar uma turma para correr fora do país e ele achou essa corrida que deu para adaptar às categorias de todos – que seria a prova de 10km, 21Km e 42km. Ele tinha alunos para as três provas e as três provas nos saímos muito bem.
Tivemos campeão no 21, nos 10 aqui de Perdões e eu fiquei muito bem.
Uma prova em que participamos com atletas de 45 países.
Jornal VOZ: E sobre a corrida de Boston em abril de 2018, qual o critério para participar?
Cláudia: É o tempo que eu consegui com a corrida de São Paulo, até eu teria que jogar esse tempo para eles na sexta-feira. Já enviei o meu tempo. Agora estou só esperando a confirmação da minha inscrição.
Jornal VOZ: Visitando a sua página no Facebook encontramos uma foto de 2012 em que você está com outras pessoas na Romaria à Aparecida do Norte. Como concilia com os treinos?
Você sempre vai a essa Romaria?
Cláudia: Acompanho desde a primeira romaria que foi em 2010.
Vou todos os anos. Esse ano fui para a Romaria, cheguei na sexta, já fiz um treino no sábado de 21 km e no domingo seguinte participei da Maratona de 42 km. E passou mais 30 dias fiz a Maratona do Chile.
O Miller agora está num treino mais leve com a gente, devido ao cansaço muscular, porque praticamente, em 2 meses, fiz 360Km fora os treinos que eram na faixa de 60 km por semana.
Jornal VOZ: O que é positivo e negativo para você nisso tudo?
Cláudia: Positivo é tudo. A romaria, a minha fé em Nossa Senhora é muto grande. Programo minhas corridas fora da época da romaria. Não abro mão de participar da mesma.
A romaria é o momento que eu tenho para estar comigo e com Deus.
A corrida, o ponto positivo é a superação.
Valeu a pena todas as madrugadas que levantei cedo, todas as dificuldades que passei, todas as bolhas no pé, todas as unhas que eu perdi.
Quando a gente está correndo, esquece dos problemas, das dificuldades. Penso só no momento da chegada.
E hoje eu vejo o mundo diferente, tenho mais paciência com as pessoas, entendo mais a pessoa que está do meu lado.
A corrida muda o jeito da gente ver e encarar a vida.
Jornal VOZ: Considerações finais.
Cláudia: Agradeço a Deus pela minha vida e a oportunidade de correr este ano 2 maratonas com saúde, ao meu esposo Ednaldo e filhos Alexandre, Julia e Arthur; aos meu irmãos, aos companheiros maratonistas (Diego,Márcia, Cleonice, Lázara e Mulinha) que às 5h30min da manhã de todos os sábados estavam na corrida para os treinos (longões); ao treinador Miller que apoia sempre as nossas corridas; à nutricionista Camila (Lavras) e ao Tiago da academia Trainner.
Agradeço também os patrocinadores: Prefeitura Municipal de Perdões, Luis Sérgio – Secretário de Esporte, ao Nino – Rede Construir e ao Laurimar – Transmattar.



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