Lívia Nonato: harmonia entre corpo e mente

16 de janeiro de 2016 16:13 1962

Lívia Moreira Nonato, nasceu no dia 02 de novembro de 1983, perdoense, filha de Geraldo Nonato da Silva (in memorian) e Sônia Moreira Nonato, irmã do Plínio. Formada em Engenharia Eletrônica pela PUC Minas (saiu de Perdões em 2004 para estudar e retornou em 2013), e atualmente trabalha na América Móveis.
A atleta faz parte da equipe Top Runners Perdões e há 4 anos participa do Projeto “Volta Monitorada” em Belo Horizonte.
Participa de corridas de rua e guarda com muito carinho dezenas de medalhas e troféus.
Quando começou a correr apareceram os problemas de saúde e após exames descobriu que tinha diabetes Tipo 1. Assim, uma nova corrida contra o tempo iniciou na sua vida. Uma corrida de encontro com a saúde e o bem estar.
E com muita força de vontade, superando obstáculos, essa jovem mulher nos mostra que força de vontade e disciplina são fundamentais para alcançar os objetivos.
Durante a entrevista ela se emocionou ao falar de Ronan que conheceu na “Volta da Pampulha” – com uma perna amputada confidenciou para Lívia que ela o inspirava a persistir, continuar nas corridas.
A reportagem do VOZ convidou Lívia para uma entrevista realizada na sala de sua casa entre medalhas e troféus, na sala de uma pessoa que com determinação não estagnou, mas continua dando um passo a frente.

 


Jornal VOZ: Você é uma atleta que compartilha suas vitórias na rede social e os perdoenses já puderam vê-la no pódio, assim como nos treinos da Top Runners.
Quando você ficou sabendo que tinha diabetes?
Lívia: Quando comecei a correr, apareceram alguns problemas de saúde.
Em 2011 comecei com uns problemas de pressão alta, tomava remédio, tinha uma vida sedentária, fumava, bebia além da conta (hoje em dia, praticamente, quase não bebo), enfim, tinha uma vida totalmente desregrada.
Jornal VOZ: Quando você descobriu que tinha diabetes, pensou em desistir da corrida?
Lívia: Foi difícil, inclusive descobri que tinha diabetes porque fui numa endocrinologista para poder emagrecer. Numa semana emagreci 7 quilos. Aí pensei ”tem alguma coisa errada”.
Quando voltei, ela me pediu os exames e me disse que tinha mais alguma coisa para olhar. Até que troquei de médico porque não gostei da postura, porque você vai para tomar remédio para emagrecer – alguns médicos não estão preocupados se você tem algum tipo de doença – mas é aquela busca pelo rápido, pela busca fácil.
No dia que descobri que tinha diabetes, uma doença crônica – sou diabetes tipo 1, então uso insulina – meu mundo caiu, porque existe um preconceito muito grande das pessoas em relação ao diabetes, às vezes até por falta de conhecimento.
Mesmo aqui em casa nós não tínhamos conhecimento até eu adquirir a doença. Li muita coisa em que mencionava que os portadores de diabetes passavam muito mal nas atividades físicas por causa das quedas de glicose. Fiquei desesperada porque tinha começado a correr.
Jornal VOZ: Foi aqui pela Top Runners?
Lívia: Não! Eu morava em Belo Horizonte e lá encontrei um projeto que se chama “Volta Monitorada” que é para portadores de diabetes e foi o que me ajudou a não desistir. Porque fácil não é. Inclusive, dias atrás, num a entrevista que dei para o projeto “Volta Monitorada” eu disse que “ser atleta é muito difícil, ‘ser atleta com diabetes’ é mais difícil ainda. Foi muito importante o apoio e ver ali todo mundo na mesma situação – falar das dificuldades, a troca de experiência, a convivência.
Eu era sedentária, não fazia nem caminhada, não gostava, não ia à academia.
Jornal VOZ: Depois veio a corrida e aí?
Lívia: A corrida me traz benefícios – o físico, o psicológico, a gente tem um grupo de amigos, embora a corrida, até seja um esporte individual porque só depende de você ali, mas a harmonia que a gente tem no grupo é muito importante.
Jornal VOZ: Aqui em Perdões quando você iniciou na Top Runners?
Lívia: Há 3 anos e aí foi outro desafio – comecei na Top Runners, o Miller é um profissional que tenho como amigo, foi para ele, no início, também um obstáculo, porque por exemplo, as coisas que eu sinto sobre passar mal, enfim é tudo novo, mas o apoio dele foi fundamental. Ele sempre acreditou em mim, mais do que eu mesma.
Quando comecei a correr aqui, sempre fui uma das últimas. Eu até brinco com o Miller de que confio mais nele do que em mim. Ele sempre falou que tenho potencial, que tenho como melhorar, ir para a frente.
Dediquei muito e hoje as pessoas ficam admiradas pelo que consigo, pois antes não conseguia dar uma volta completa na avenida e com dedicação corri em uma maratona de 42 quilômetros.
Jornal VOZ: Além da corrida na “Volta Monitorada” em BH que você ganhou em 2014, quais as outras corridas você participou e destacou?
Lívia: Em 2015 fiz mais provas curtas – Perdões na Corrida Rústica em que fiquei em 2º lugar; Cruzeiro em BH em que fiquei em 7º lugar no geral e 2º lugar na minha categoria; Corrida do Galo – 4º lugar geral (essa é a minha paixão, embora não seja nem atleticana e nem cruzeirense; Corrida de Lavras em que fiquei em 1º lugar no geral.
Jornal VOZ: Além dessas corridas você participou de alguma maratona?
Lívia: Em 2014 participei da Maratona em Buenos Aires – corri 42km.
Jornal VOZ: O que isso significou para você?
Lívia: Para quem antes não corria, não treinava, pensava que correr 42km não cabe na gente fazer isso.
Sabe Regina, a maratona, ela nem é tanto saúde. É mais para a gente ver o quanto o psicológico manda em nós, porque ali 30km, eles falam que você corre com o corpo, os 10 é com a cabeça, e os 2 é com o coração. O seu corpo pede para parar porque a gente não está aguentando mais – é uma força além do que estamos acostumadas a fazer. Quando você passa aquela linha de chegada, após correr 42km, é uma lição de vida.
Jornal VOZ: Então tudo isso que você fez e faz para a sua saúde, o emagrecimento – tudo não depende só do seu físico?
Lívia: Não! Porque você não consegue ser 100% – fazer dieta todos os dias. As pessoas perguntam o que diferencia a gente, se há fórmula mágica. Não tem fórmula mágica. É a persistência, mas você se perdoando porque tem dia que como chocolates – tenho diabetes – não posso – mas no outro dia já falo “agora chega”.
Outra coisa que temos que observar é a meta que você não vai dar conta de cumprir. Eu por exemplo comecei a fazer academia duas vezes por semana, hoje treino seis dias por semana.
Jornal VOZ: Além da sua determinação, dedicação, o apoio e o suporte do Miller, quem mais você gostaria de citar na questão de incentivo?
Lívia: Quando comecei a correr, a minha inspiração foi a Cleonice. Quando ela começou a correr (eu morava com a filha dela) – ela quem me inspirou na corrida. Destaco a persistência dela – nós duas somos muito parecidas.
Lembro que quando eu fazia 5 quilômetros, ela já estava nos 10. No dia em que ela fez 21, eu pensei “meu Deus do Céu e agora? Não, eu vou fazer os 21 e consegui”.
Jornal VOZ: Nas redes sociais você compartilha as fotos de suas corridas, as suas experiências no mundo do esporte, as suas viagens. E numa dessas fotos temos você com uma pequena menina.
Você poderia nos contar sobre a história daquela foto?
Lívia: É a Aninha de Belo Horizonte, ela tem 5 anos de idade, também é portadora de diabetes e já corre. Participa do Projeto “Volta Monitorada”.
E no dia que ela me falou lá na Volta da Pampulha que “quando ela crescer, quer correr como eu corro” – foi muito gratificante.
Inclusive teve uma pessoa que encontrei na Volta da Pampulha – por rede social começamos a conversar – o Ronan, ele perdeu uma perna. Aí na Volta da Pampulha nos conhecemos pessoalmente. Ele me parabenizou e disse que no ano anterior não deu conta e esse ano conseguiu “você foi a minha inspiração”, ele me disse. Eu lhe disse “você é muito mais guerreiro do que eu”. Ele destacou que “as pessoas que estão na minha situação por excesso de peso, sedentarismo, diabetes tipo 1 não, mas diabetes tipo 2 que é um problema relacionado com a alimentação – as pessoas podem mudar – no meu caso não”. Então ele é uma pessoa que admiro demais. Até lhe falei que esse ano de 2016 vamos correr juntos uma meia maratona.
A gente reclama e não faz nada para mudar, mesmo tendo a oportunidade para mudar, e foi o que eu fiz.
Jornal VOZ: Para concluir
Lívia: Eu me encontrei na corrida, mesmo nunca sendo apaixonada por esporte, atividade física todos devem praticar porque faz bem para a cabeça e para o corpo. Que seja uma caminhada.
Quero aqui agradecer o apoio da minha mãe que esteve comigo em todos os momentos – minha maior incentivadora com certeza. Foi também por ela que mudei, pois sabia da sua preocupação com a vida que eu levava.
E posso concluir: Sou feliz!

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