Ser mãe atípica

23 de fevereiro de 2025 12:01 890

Ser mãe de uma criança com autismo é viver em um mundo onde as crises e a rigidez cognitiva viram rotina. Não é um caminho fácil, mas é o meu caminho! E é real!
A cada dia, aprendo sobre desafios que não podem ser vistos, parecem invisíveis, mas estão ali, batendo à porta, sem aviso. Porque o autismo não tem um rosto único e não é uma condição com uma receita pronta para ser seguida. Aqui reside a maior dificuldade: O autismo é uma jornada que desafia a compreensão e exige adaptação mesmo sem que eu entenda o que está acontecendo direito.
Como mãe, enfrento os dias de tensão e exaustão, onde pequenas mudanças de rotina como uma simples troca de lugar ou o fato de sair de casa, podem desencadear crises que me desafiam a ter paciência e perseverança.
Como mãe, preciso ser forte, mesmo quando o mundo à minha volta não entende a razão de tanto sofrimento. Não é uma simples birra. É a luta interna de uma criança tentando lidar com seus sentimentos, tentando entender as exigências que ela não consegue entregar naquele momento.
É um aprendizado diário. Aprender a respirar durante as crises. Aprender a lidar com a frustração que, muitas vezes, parece sem fim. A me comunicar de formas diferentes, porque nem todas as palavras são suficientes. É um caminho de reflexão e crescimento.
A sociedade, espera que meu filho se encaixe em um padrão. e, quando não se encaixa, é como se houvesse uma falha. O autismo não é uma falha! É uma maneira diferente de ser, de perceber o mundo, de reagir e interagir. E na verdade, a sociedade é que precisa mudar muita coisa, não as nossas crianças. Eu vejo as lágrimas dele, mas também vejo os pequenos sinais de superação, os momentos em que ele se aproxima do mundo de uma maneira que só ele consegue.
Quando vejo meu filho, vejo também um reflexo de outras crianças autistas, e consigo sentir a dor de mães, que como eu, que estão ali, na luta diária, buscando um pouco de compreensão e inclusão e o principal: Buscando ser ouvidas!
Agradeço ao prefeito Guilherme, à secretária de Educação Márcia e a todos profissionais do Pólo, que estão abrindo uma porta tão importante para nós.
Nos ouvindo e reconhecendo que as mães, pais, cuidadores e famílias precisam de apoio, compreensão e ação efetiva.

Érica Carvalho
( Mãe Atípica do Bernardo)

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