O dia 2 de abril é o Dia Mundial de Conscientização do Autismo.

Parece que essa frase tem se tornado cada vez mais comum :às vezes em forma de pergunta, outras vezes como afirmação, diante de um maior número de diagnóstico do que se via a tempos atrás.
Infelizmente, para nós, mães atípicas, e para nossos filhos (pessoas com Transtorno do Espectro Autista) esse tipo de fala não é inofensiva. Ela carrega desinformação e, muitas vezes, apaga realidades que são sérias e que precisam ser compreendidas com responsabilidade.
Antes de um diagnóstico existem histórias de lutas, resistências, dores, muitas vezes desamparo, solidão, cansaço e exaustão. Também existem pequenas vitórias e conquistas diárias. Reduzir cada luta única “a todo mundo” como se fosse algo fácil e até desejado de se conseguir é cruel! Chega a doer e dói ouvir isso!
Acredite!
E sim, eu disse pessoa com autismo, e não “autista”.
Porque antes de qualquer diagnóstico, existe um sujeito. Um sujeito com história, com desejos, com
modos próprios de sentir, de se expressar e de estar no mundo. Não se trata apenas de um rótulo, mas de alguém cheio de particularidades e singularidades que não podem e não devem ser reduzidas a uma
palavra.
Ei, você mesmo que está lendo… é com você.
Em meio a tantas informações, é bem provável que você já tenha convivido com alguma criança ou adulto (sim, eles crescem) no ponto de ônibus, no trabalho, na escola, ou até dentro do seu próprio círculo de amizade ou família.
Mas já parou para realmente escutar? Não apenas ouvir… mas escutar de verdade?
Escutar o sujeito que existe ali, para além de qualquer diagnóstico? Escutar até mesmo aqueles que não
conseguem falar? através de um desenho, de uma brincadeira ou do olhar?
Talvez você já tenha feito a pergunta do título.Ou pior: já tenha afirmado isso com certeza.
Hoje, no Dia Mundial de Conscientização do Autismo, fica o convite: mais do que repetir frases prontas,
que tal se permitir conhecer, compreender e respeitar? Faça parte dessa transmissão de conhecimento.
Porque por trás de cada diagnóstico existe uma família, existem desafios reais e, acima de tudo, uma pessoa que não consegue enxergar o mundo da mesma maneira que nós e que merece respeito, compreensão e inclusão.
“Hoje em dia todo mundo é Autista? — uma reflexão necessária”
Érica Carvalho Idealizadora e coordenadora do Projeto Laço Azul Perdões .Estudante de Psicologia e mãe de uma criança com dupla excepcionalidade (Superdotação/TEA). Atua coomo palestrante para a
conscientização do respeito e inclusão e na luta para a compreensão dos direitos dos
neurodivergentes.
(*capacitismo é crime no Brasil. A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI – Lei
13.146/2015), no seu Artigo 88, tipifica como crime praticar, induzir ou incitar a discriminação de pessoas
com deficiência, prevendo pena de reclusão de 1 a 3 anos e multa. Fonte: Senado.leg.gov)