Mães que transformam sentimentos em gratidão e o mundo com afeto

5 de maio de 2026 12:42 55

Fabiana de Moura Pinto Dias e Leonice Carvalho Freire Alvarenga são protagonistas da nossa edição especial do Dia das Mães, revelando como a força da família atravessa gerações (fotos VOZ no dia da entrevista gravada).

Leonice Carvalho Freire Alvarenga nasceu na Comunidade do Cerrado no dia 14 de Setembro de 1962, através das mãos de uma parteira, assim como todos os seus irmãos.
Ela é filha de Antônio José de Carvalho e Ivone Freire Carvalho; irmã da Gabi (in memorian), Rúbio, Marcos (in memorian), Nadir, Célio, Leila e Sávio. Leonice é a sexta filha entre os oito irmãos; esposa do Ed Alvarenga, mãe do Willer e Mayra; avó da Bia, Raul e Henrique.
A entrevista foi realizada na sua cozinha que revela aconchego e união. Antes da entrevista, foi servido um delicioso café com pão de queijo e doces caseiros. Detalhe: Cauã não toma café como a Regina – então leite e achocolatado.
A reportagem pediu que falasse sobre a sua infância e ela recorda que juntamente com seus irmãos e primos de sítios próximos, brincavam muito num terreiro de café, onde atualmente mora o seu irmão Sávio. Recorda que nesse terreiro havia mil brincadeiras no espaço em frente à casa.

Jornal VOZ: O que mais você lembra da sua mãe? O que ela inspira em você?
Leonice: Minha mãe era fantástica. Minha mãe era de um senso de humor e levava a vida com muita leveza; muito criativa (libriana); costureira das roupas de todos os filhos.
Da minha mãe lembro muito a caridade. E todos nós lá em casa trazemos isso como inspiração. Eu tive essa oportunidade de conviver com ela. Porque morei 10 anos em uma outra comunidade rural – Coelhos, quando casei, onde fui professora. Depois construímos essa casa (Bairro Rosário) do lado dela. Assim a gente convivia diariamente, fazíamos muitas coisas juntas e estando próximas, eu pude acompanhar a mãe na velhice – eu, a Nadir, pela proximidade. Fazíamos por ela, assim como ela fazia por nós.
No dia do falecimento dela, quando ela passou mal, ela me gritou o nome (da minha casa eu a escutava), aí quando cheguei lá vi como ela estava, chamei meu filho e então a levamos para a Santa Casa. Foi nesse dia também o aniversário do Célio, um dos meus irmãos.
Minha mãe foi muito boa para os filhos. Ela teve uma vida difícil, mas deu tudo que a gente precisava: o estudo e o apoio constante.
Jornal VOZ: Léo, fale sobre a sua vida profissional e social.
Leonice: Eu me casei nova, logo depois do Natal – 27 de dezembro de 1980 com o Ed, marido maravilhoso, um pessoa que considero muito melhor do que eu, sensível e educado. E em seguida já mudei para a comunidade dos Coelhos, eu com 18 anos, ele vivendo da roça e eu como professora da escola que iniciei no ano seguinte. Tenho um carinho muito grande pelos meus alunos. Todas as famílias e amigos daquele tempo são amigos hoje.
Depois vim para Perdões porque passei no Concurso do Estado. Iniciei na Escola José Norberto de Andrade, que antes era estadual, continuei na prefeitura e logo fundou a APAE. Vim para a cidade em 1990 e em 1992 fundou a APAE e passei por 20 anos na entidade.
Esse tempo de 20 anos não vi passar. Dediquei-me muito, todos conhecem a história. Foi algo muito bom fazer parte da construção desse sonho – atender as pessoas com deficiência em Perdões. Fiz uma amizade muito boa com os alunos, suas famílias, funcionários. Foi uma experiência muito boa na minha vida.
Jornal VOZ: Você sente esse jeito de “mãezona” tanto na sua atuação na APAE quanto hoje na Associação dos Aposentados (AAPIP)?
Leonice: Sim. Hoje com a nova política de assistência social, somos acusados de “assistencialismo” e não é. Eu entendo como é a política de assistência social, mas ao mesmo tempo a gente não pode perder essa essência de cuidar das pessoas.
Jornal VOZ: Após o nascimento dos filhos, você continuou trabalhando?
Leonice: Sim e quando cheguei na cidade e abracei a causa da APAE, tive a minha mãe do lado aqui, que ajudava a cuidar dos meninos; tive uma outra pessoa, minha vizinha Mara (Mara Maria de Moura que ficou comigo 8 anos). Quando vim para a cidade, meus filhos tinham 5 e 7 anos. Meus filhos nunca me deram trabalho, sempre responsáveis com estudo. Mesmo eu trabalhando 8 horas por dia, além da dedicação fora do horário, eles se tornaram filhos independentes. São dedicados e responsáveis no trabalho e percebo isso sendo construído nos netos.
Como eu me aposentei, eu vivi a infância dos meus netos.
Tivemos momentos muito bons com meus filhos. A gente fazia passeios em carroceria de caminhão com meu irmão Marcos (in memorian). Nós colocávamos os colchões no caminhão e partíamos para a cachoeira, Carrancas, São Thomé das Letras. As crianças e todos os irmãos – são lembranças muito boas em família.
Jornal VOZ: Como a AAPIP entrou na sua vida?
Leonice: Em 2012 aposentei com aquela dificuldade da menopausa, e a minha irmã Nadir já frequentava a AAPIP; ela é quatro anos mais velha do que eu, e já estava na ginástica do Gasparzinho.
E ela insistiu para que eu me matriculasse e assim fiz para usufruir das atividades da Associação: atividades físicas e os Encontros.
Após a pandemia, fui convidada a fazer parte da diretoria atual, que iniciou em 2023 e de lá para cá estamos fazendo um trabalho juntamente com a Diléia, toda diretoria e os funcionários para implementar um cuidado com o idoso como política pública, porque durante todo esse tempo já saiu o Estatuto do Idoso e agora não é mais “vamos fazer isso pelos idosos, se quiser”, é direito e vamos fazer o melhor. E com essa união da equipe, nós estamos avançando isso. Ou seja, antes associada e no momento dando essa contribuição e com o conhecimento que a gente tem na cidade, isso tem ajudado a buscar caminhos, tenho um carinho enorme pelos meus colegas idosos, já estou próximo de fazer 64 anos, eu aprendo muito com eles. São inspiração para mim. Ver pessoas de todas as idades, muitas com 80, 90 anos, fazendo artesanato, que gostam de viajar; faça chuva ou faça sol, estão na ginástica.

Leonice durante a entrevista mostrou todo o brilho do seu coração, no seu olhar e nas suas palavras.

Fabiana de Moura Pinto Dias, nasceu em Perdões, no Bairro Palestina em 12 de abril de 1980.
Ela é filha de Jair Moura Pinto e Maria da Glória de Jesus Pinto; irmã da Eloísa, Moacir, Eliana, José, Florêncio (Tinora), Evanderson e Cristina. Fabiana é a caçula; esposa do Gugriel (Gu), mãe da Maria Luísa e avó da Maria Julia.
O nosso bate papo teve momentos de emoção, quando falou sobre sua mãe e sua filha.
A entrevista foi na casa da sua filha, em um ambiente leve e saudável.
Após a entrevista foi servido um delicioso café com bolo e pão de queijo; Cauã serviu-se de um suco de maracujá.
Fabiana nasceu em casa pelas mãos do avô. Nascida e criada no bairro Palestina, trabalhou desde os 14 anos de idade em confecção – fábrica de costura – até os 18 anos, quando teve sua filha, Maria Luísa.
Namorou durante um ano e meio com seu marido e após o nascimento da filha ficou um tempo em casa, retornou ao trabalho, mas resolveu parar para cuidar da filha que era bem pequena.
Jornal VOZ: E quando você retornou ao trabalho?
Fabiana: Quando minha filha já estava na fase de adolescência, eu queria voltar a trabalhar (meu marido é caminhoneiro a vida toda). Então comecei a trabalhar com minha vizinha e comadre (madrinha da minha filha), Dona Sebastiana Isabel Vivas (Tiana).
Jornal VOZ: Inclusive quando a conhecemos você estava trabalhando na cozinha – nos congados, Folia de Reis. Você foi uma mãe presente e nesse tempo já ajudava na Folia de Reis?
Fabiana: Sim, meu pai a vida toda foi folião, congadeiro, e a gente cresceu dentro dessa cultura, ouvindo as histórias, aprendendo, participando, meus irmãos lá na Folia de Reis.
Jornal VOZ: Seu pai montou uma Associação. Qual o nome?
Fabiana: Associação da Folia de Reis do município de Perdões. Agora não tendo mais a Associação, nós temos a Comissão Organizadora (pois meu pai ficou doente e assim encerramos pois ele era o presidente responsável), antes ficávamos mais nos bastidores com nossa mãe, ajudando a preparar a comida, o café que seria servido aos foliões.
Meu pai criou a Associação, onde todos os filhos participavam e a gente ajudava a organizar, levamos até hoje. Temos 24 anos de Encontro de Folia de Reis em Perdões, no qual agora, eu, a Cristina e o Florêncio estamos à frente e como Comissão Organizadora temos todas as pessoas envolvidas que nos ajuda.
Jornal VOZ: Sobre a sua mãe, o que mais você destaca sobre ela?
Fabiana: Minha mãe é a minha maior inspiração. Ela me ensinou a ter amor à família, amor ao próximo, ser leal, ser verdadeira, ser honesta, ter gratidão.
Sou filha, antes de ser mãe e avó. O amor que tenho pela minha mãe é indescritível. Admiro muito ela não só como mãe, mas como filha, irmã e esposa. A minha mãe é excepcional. Ela realmente foi a verdadeira companheira que meu pai merecia ter.
Jornal VOZ: Como a AMAGRI entrou na sua vida?
Fabiana: Eu morei a vida toda na cidade. Meu marido tinha um sonho de ir para a roça. Era um sonho dele, com o tempo eu fui abraçando esse sonho…fui sonhando junto. Veio a pandemia, Ele vendeu o caminhão e a gente construiu nossa casa na roça.
E lá na roça eu habituei a ligar todos os dias, às 05h da manhã, a Rádio VertSul e no decorrer no dia, ouvi falar da AMAGRI – Associação das Mulheres Agricultoras de Perdões, fiquei muito interessada. Até então não conhecia. Ouvi o número do telefone, liguei; na época quem atendeu foi a presidente, Luciana Arriel. Ela me convidou porque ia ter uma palestra com a Gláucia Vale do Sebrae, lá na Escola Cenecista Dulce Oliveira, na qual eu fui, gostei muito e me associei nesse mesmo dia.
A Gláucia propôs para a AMAGRI uma cultura da cooperação que ia durar um ano e meio com a Andréia Salermo – uma prestadora de serviço do Sebrae que ia proporcionar essa capacitação para nós da AMAGRI. E eu, resolvi fazer; nesse período me associei, fui conhecendo uma a uma das meninas e vendo que ali realmente era um lugar que eu queria estar – entre mulheres mais velhas, mais novas, trocando experiências, conhecendo a história de cada uma, estou lá até hoje.
Jornal VOZ – Nós mulheres somos mães dentro da família, e de certa forma, mães lá fora na profissão, no voluntariado, levamos esse sentimento de mãe, de acolher, ajudar. Você sente isso?
Fabiana: Sem dúvida. Porque a AMAGRI além de ser uma Associação e agora a gente se trata como Família AMAGRI, estamos ali, não somente para participar de uma política pública, de um evento. Não! Estamos ali no dia a dia para sermos solidárias uma com as outras, uma ajuda para quem realmente precisa. Talvez uma palavra, um colo, uma ligação.
Agora estando à frente da presidência, sinto essa responsabilidade de verdadeiramente saber o que está acontecendo com as meninas. Ali temos que ser unanimidade.
Cada uma pensa de uma forma, tem uma cabeça. Temos que entender todo mundo – fazer pelo bem comum de todas. Desde o princípio eu falo que só faz sentido a gente estar aqui na Associação se for para o bem de todas. Acredito que sozinha chegamos lá, mas juntas vamos mais longe.
Jornal VOZ: O que é ser mãe para você?
Fabiana: Ser mãe, é o melhor presente que Deus me concedeu. Eu amo muito a minha filha, amo muito a minha neta, amo a minha mãe.
Sou uma mãe presente. Quero saber o que está acontecendo, quero saber dos sentimentos da minha filha. Quero estar aqui para toda hora que ela precisar, para ela saber que tem meu colo. Falo muito isso para ela – que desde que era pequena e depois adolescente: “filha, você pode ter algumas amigas lá na rua, mas sua amiga mesmo é sua mãe, estou aqui para o que você precisar.”

Fabiana se expressa com suavidade e emoção.

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