Baile de Máscaras da Política

30 de dezembro de 2025 17:11 67

A política, há muito tempo, deixou de ser um espaço de transparência e passou a se parecer com um grande baile de máscaras. Nele, quase ninguém entra de rosto limpo. As máscaras são variadas, bem trabalhadas, ensaiadas diante do espelho e usadas conforme a ocasião exige. Há a máscara do “defensor do povo”, colocada com cuidado em períodos eleitorais; a do “técnico responsável”, usada para justificar decisões impopulares; e a da “indignação moral”, exibida apenas quando o escândalo não envolve aliados.
Nesse baile, o discurso é coreografado. Palavras como “mudança”, “compromisso”, “diálogo” e “responsabilidade” ecoam pelo salão, mas raramente atravessam a fantasia e chegam à prática. O que se vê, na maioria das vezes, é uma encenação repetida: promessas que não se cumprem, projetos que nunca saem do papel e prioridades que mudam conforme o vento do interesse político sopra.
As máscaras cumprem um papel essencial nesse jogo: esconder contradições. Quem ontem criticava, hoje aplaude; quem prometia romper com velhas práticas, rapidamente se adapta a elas; quem se dizia diferente, acaba dançando a mesma música. Tudo isso acontece sem constrangimento, porque a máscara protege o rosto real e afasta a responsabilidade direta.
Quando algo dá errado, a culpa é sempre do outro, do sistema, da gestão passada ou de um inimigo conveniente.
Enquanto isso, o povo ocupa um lugar secundário nesse salão luxuoso. Não participa das decisões, não escolhe a música e nem define o ritmo. É convidado apenas a assistir, acreditar e pagar a conta.
A plateia muda, que sente no dia a dia os efeitos das escolhas feitas por trás das máscaras: serviços precários, obras inacabadas, direitos relativizados e um sentimento constante de que está sempre sendo enganada.
O mais grave é que esse baile se repete mandato após mandato, como se fosse tradição. Trocam-se os convidados, renovam-se os figurinos, mas a lógica permanece intacta. Poucos têm coragem de entrar sem máscara, falar verdades impopulares, assumir erros e enfrentar as consequências de decisões difíceis. A transparência, nesse ambiente, ainda é vista como risco nunca como virtude.
Talvez o verdadeiro medo não seja a crítica, nem a oposição, mas o instante em que as luzes se acendem e as máscaras caem.
Porque nesse momento, não há fantasia que sustente discursos vazios. Resta apenas o rosto nu da incoerência, da omissão e da falta de compromisso com quem realmente deveria ser o protagonista desse baile: o povo.

Leandro Henrique

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