
De Conceição, a voz é nascente
Vozes caladas, a dor enfatiza
Ontem, o nó na corrente
Hoje, no verso se descoloniza
Lágrima não chorada, na garganta desliza
Palavra nunca dita, o silêncio sente
Epifanias em seu mundo analisa
O peso da solidão em Clarice – evidente
A alma perdida, orgulho e sofrimento
Nos olhos cegos, o erotismo se lança
Duma boca divina, vaga o momento
A dor mais bonita, ser Espanca
Palavra nunca dita, peso da mudez
O efêmero dança em tom de canção
Entre o vago e a lúcida sensatez
Cecília, o tempo na palma da mão
Mãos de terra, minando o poço
Barro e homem, o cotidiano traça
Cora, exalta a vida e o esforço
O lar e o cheiro da massa
Jeane Lima
@escritora_jeanelima