Como um proteu político, adapta-se a cada contexto, a cada clamor popular, prometendo o céu e a terra, mas entregando apenas o vazio. Ele é o salvador em potencial, o paladino da nova era que ressoa nas esperanças e nos sonhos de um amanhã dourado.
Com a desvalorização, a máscara começa a rachar, revelando as fissuras de uma face antes imaculada. As promessas tornam-se fardos, e os outrora aliados são relegados à condição de adversários.
A retórica inflama-se em críticas e ataques, uma cortina de fumaça para encobrir os fracassos e os escândalos que começam a borbulhar sob a superfície de um lago outrora plácido.
Neste cenário teatral da política, em que narcisistas tomam frequentemente o centro do palco com seus atos de grandeza ilusória, existe uma figura que opera discretamente nas sombras: o político empata. Esse é o agente silencioso de mudança genuína, cuja presença não é marcada pela necessidade de adulação ou pelo estardalhaço dos holofotes, mas pela consistência das ações que visam ao bem comum.
O empata político é aquele que escuta mais do que fala, cuja empatia não é uma ferramenta retórica, mas uma bússola que guia seu serviço público.
Diferente do narcisista, que se alimenta de aclamações e se embebeda com o poder, o empata se nutre do bem-estar, e sua satisfação provém da implementação de políticas que efetivamente tocam e melhoram as vidas daqueles que representa. Suas características psicológicas são antíteses das do narcisista: ele demonstra genuína preocupação com os outros, busca entender as questões sob múltiplas perspectivas, e sua liderança é pautada pela inclusão e pelo incentivo ao crescimento.
Detectar esses empatas em meio ao ruído e à ‘fanfarronice’ dos narcisistas requer um olhar atento e um ouvido crítico. Não se deixe enganar pela quietude; a verdadeira substância muitas vezes reside na calma.
A presença de um empata se revela não apenas no que ele diz, mas no que ele faz – no rastro de políticas implementadas que falam mais alto do que palavras, no compromisso inabalável com a verdade, na recusa em participar do teatro de enganos. Em tempos de espetáculo e superficialidade, o empata é o farol que guia a nau da política por águas turbulentas, rumo a um porto seguro onde as necessidades da população são realmente atendidas.
Leandro Henrique